terça-feira, 2 de abril de 2013

Acalmo meus olhos na parede branca
e me afogo em mármore e marfim.
Só os restos dos músculos se contorcem tensos.
Na minha última morada,
acendo velas e faço minhas orações:
- Espero o perdão dos tempos.
E ainda assim, escondo vergonhas e desatinos de uma infância indigna.
Rangendo os dentes, renovo o horror incompreensível,
e raspo da minha carne as asperezas que me legaram eles.
Eles! Sempre eles, os culpados por tudo - por tornarem EU aquilo que fui e serei sempre:
mutável, desprezível, incansável e torto.
Como desiguais e mutáveis são meus anseios e amores.
O sabor do vento musgo me enche as pálpebras-cetim.
E enquanto espero, enquanto me torno parte deste abrigo cego,
descanso os olhos no nada que há em mim.

Lisiane Freitas

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