segunda-feira, 18 de março de 2013

Com agulhas espetadas nos olhos
cego o mundo à minha volta.
Eles, que já há tempos nada veem e nada esperam,
Mas que buscam insanos outros poréns.
Emaranhados em desejos secos,
sentem o nada que o futuro lhes prepara.
Na anestesia cotidiana, pastam alegremente
Enquanto seguem para lugar nenhum.
Afasto-me do mundo e sopro poesia sobre meus pés.
É o vento que sussurra em meus ouvidos
e a luz que minha língua prova tem o acre da cidade velha.
Do alto da montanha decido os rumos e os personagens.
Brinco que deus e de diabo - envolvo-me em meus próprios braços -
E selo com um beijo meu pacto solitário.
Rasgam-se as peles. Os pelos caem com os dentes que a carne esquece.
Caem as carnes frouxas, abrem-se as veias, escorre o sangue ralo.
Empilham-se os ossos, apaga-se a mente,
Encerra-se o mundo.


Lisiane Freitas

Chuva

Agora chove aqui dentro.
Não uma chuva de verão,
nem uma tempestade com ventania e medo.
Chove aqui dentro uma chuva fina e lenta,
Escura e gelada. Fina, sim, muito fina e sutil, que
vagarosamente se acumula e sobe, afogando os sorrisos,
alagando os desejos, enregelando a alma.
Uma chuva delicada e suave, dessas que começam sem a gente perceber,
E que continuam, continuam, continuam, até que façam parte de nós.


Lisiane Freitas