quinta-feira, 12 de abril de 2012

Interlúdio


Deito o corpo sobre as flores mortas
E observo o fim silencioso, naquele interlúdio entre o abrir e o fechar dos olhos.
O calor existe ainda, eu penso.
Mas o espírito se foi há tempos.
Essa luz sedenta não é mais a minha.
Vinho amargo na língua – a lembrança do beijo acabado.
A língua que teima em dançar ao meio dia.
No entremeio a espera é fria, o anseio é úmido, o ventre é seco.
Era então o sonho do louco. Agora só o oco do outro.
É o corpo do morto, o eco esquecido e nu da esperança e do amor de outrora.

Lisiane Freitas.

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