segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

A verdade sobre mim

Como podem me pedir
Para escrever versos brancos,
Quando minha alma é sórdida e escura?

Como esperam que eu escreva doçuras e diamantes,
Quando sou sangue, medo, escuridão e dor?

Como desejam que eu descreva o céu,
Quando é nos esgotos que arrasto minhas lamúrias,
É pela lama que carrego meu corpo cansado,
É entre os pesadelos que eu durmo melhor?

Não, eu digo! Não esperem doçuras e diamantes,
Não esperem belezas fúteis, mas a dor profunda.
O ardor da vida (e arde!) está a léguas do céu.

Meu coração é negro e pedra e tão frágil que se desfaz num sopro.
(nem sei como ainda pulsa)

Então não esperem flores, trombetas e harpas, perfumes e ocasos.
Da minha torpe existência só o desatino, a feiúra e o caos.

O cheiro acre das esquinas imundas,
As cores pardas e escuras... a paleta baixa...

Desprezem-me, se bem quiserem, se assim desejarem.
Que seja!

Em meu resfolego ao rastejar pelas estradas sujas,
Só o olhar aleijado de quem já viu demais.

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