segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Pequeno ensaio sobre a solidão

Ao longe eles escutam os sussurros de antigamente,
E aguardam impacientes uma resposta...



Abro os olhos. Fecho-os novamente e não deixo a luz entrar.
É seguro no escuro. É morno. Silencioso.
Abro os olhos por que o dia me traz as responsabilidades do mundo - aquelas que me curvam as costas.
Para onde hoje?
Para o sempre. Para onde mais?
Vozes exasperadas, ruídos e movimento.
Nem respiro, não há ar para todos.
Transparente, atravesso paredes, venho e vou, para o sempre. Para onde mais?

Entre os rosnados do mundo, caminho – flutuo – sem pensar. Não é preciso.
Os pés me levam para o sempre (para onde mais?) sem que precise pedir, ou parar.
O dia desfila através de meus dedos incansáveis,
Escorre das pálpebras inchadas,
Vai embora e me deixa para trás.
E cá estou, por último, flutuando em direção ao nada. Para onde mais?
Fecho os olhos novamente e não deixo a luz entrar...

Um comentário:

  1. Os dias desfilam, escorrem e se vão fugindo dos teus dedos cançados... Siga, tateando no escuto sem esperanças de encontrar qualqer amigo, "abrigo ou mesmo a morte".

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